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Consumidores de energia em casa: os 10 maiores devoradores de eletricidade em 2026

Quais os aparelhos que gastam mais eletricidade sem darmos por isso — e como poupar até 280 € por ano sem abdicar de conforto.

Mariana Costa· Consultora de Energia 12 de maio de 2026 9 min. de leitura

Em 2026, a família portuguesa média paga cerca de 850 € por ano de eletricidade — e uma parte significativa desse valor corresponde a aparelhos que funcionam em segundo plano, sem que nos apercebamos. Quem conhece os maiores consumidores de energia consegue poupar várias centenas de euros por ano com um esforço relativamente reduzido, sem ter de abdicar de conforto. Neste guia analisamos os dez maiores devoradores de energia numa casa portuguesa, explicamos os fundamentos técnicos e mostramos, com exemplos de cálculo concretos, quanto se pode realmente poupar com medidas simples. Baseamo-nos em valores de consumo habituais no mercado e num preço de energia assumido de 0,18 €/kWh, realista em 2026 para clientes em tarifa regulada.

O mais importante em resumo

  • Frigoríficos e arcas congeladoras antigos, bem como máquinas de secar roupa sem tecnologia de bomba de calor, estão entre os consumidores permanentes mais caros de uma casa.
  • Os consumos em standby na sala e no escritório somam entre 35 e 90 € por ano, mas podem ser quase totalmente evitados com réguas de tomadas com interruptor.
  • O aquecimento de água elétrico é um dos itens mais caros de toda a fatura e deve ser atenuado com chuveiros de baixo caudal, redutores de caudal e temperaturas mais baixas no termoacumulador.
  • A troca de iluminação de halogéneo para LED amortiza-se normalmente em poucos meses e depois poupa de forma permanente entre 35 e 65 € por ano.
  • No total, combinando várias medidas, é realista poupar entre 150 e 200 € por ano sem reduzir o nível de conforto.

1. Frigoríficos e arcas congeladoras antigos

Os frigoríficos e arcas congeladoras funcionam 24 horas por dia, 365 dias por ano, e estão por isso entre os maiores consumidores permanentes de uma casa. Aparelhos com mais de dez anos consomem frequentemente o dobro ou o triplo de um aparelho moderno de classe de eficiência A, uma vez que a tecnologia de compressores, o isolamento e a eletrónica de controlo evoluíram consideravelmente nos últimos anos.

Um frigorífico de 300 litros com dez anos pode facilmente consumir 350 kWh por ano, enquanto um equivalente moderno se contenta com cerca de 120 kWh. A um preço de 0,18 €/kWh, isso corresponde a uma diferença anual de cerca de 41 €; em combinados frigorífico-congelador maiores, pode chegar a mais de 70 €.

A substituição costuma compensar economicamente já ao fim de quatro a seis anos, se compararmos o custo de aquisição de um novo aparelho de classe A, entre 350 e 500 €, com a poupança anual. Além disso, deve ter-se atenção à localização correta: a exposição direta ao sol ou a proximidade do fogão aumentam sensivelmente as necessidades energéticas.

  • Regra geral: verificar o consumo de aparelhos com mais de 10-12 anos e substituir se necessário.
  • Não colocar o frigorífico junto ao fogão ou a fontes de calor.
  • Verificar regularmente a vedação das portas quanto a fugas.
  • Descongelar as arcas congeladoras pelo menos uma vez por ano, pois as camadas de gelo aumentam significativamente o consumo.

2. Aparelhos em standby na sala

Televisões, recetores, consolas, colunas soundbar e repetidores Wi-Fi continuam frequentemente a consumir eletricidade mesmo quando parecem desligados, para arrancarem mais depressa ou para permitirem temporizadores. Em muitas salas isso soma entre 40 e 80 watts de carga permanente, mesmo quando ninguém está a ver televisão.

Calculando essa carga permanente ao longo de um ano inteiro, com 60 watts de potência em standby chega-se a cerca de 525 kWh — o que corresponde, a 0,18 €/kWh, a um custo de aproximadamente 95 € por ano, apenas com aparelhos supostamente em repouso.

Uma régua de tomadas com interruptor, por cerca de 15 a 20 €, corta completamente a alimentação a todos os aparelhos ligados e amortiza-se em poucas semanas. É importante excluir dela, ou temporizar cuidadosamente, aparelhos com funções de gravação programada, como recetores com disco rígido.

  • Usar réguas de tomadas com interruptor para TV, recetor, consola e soundbar.
  • Desligar sempre os carregadores da tomada depois de usados.
  • Adquirir um medidor de consumo por 10 a 15 € para identificar consumidores escondidos.

3. Máquinas de secar roupa convencionais

As máquinas de secar por condensação sem tecnologia de bomba de calor estão entre os eletrodomésticos mais consumidores que existem. Um ciclo de secagem consome frequentemente entre 3 e 4 kWh, enquanto as modernas máquinas de bomba de calor precisam apenas de 1 a 1,5 kWh para a mesma quantidade de roupa.

Numa casa de quatro pessoas, com cerca de 160 ciclos de secagem por ano, a diferença é significativa: 160 ciclos a 3,5 kWh correspondem a 560 kWh e, portanto, a cerca de 101 € por ano, enquanto uma máquina de bomba de calor com 1,3 kWh por ciclo gasta apenas 208 kWh, ou seja, cerca de 37 € — uma poupança de mais de 60 € por ano.

Quem não planeia comprar uma máquina nova pode reduzir o consumo de forma sensível utilizando o tambor sempre à capacidade máxima, centrifugando a roupa a alta velocidade na máquina de lavar e usando o programa Eco, mesmo sem aparelho novo.

4. Aquecimento elétrico de água

Os termoacumuladores e esquentadores elétricos estão entre os itens de consumo mais caros de uma casa, uma vez que aquecer água exige, do ponto de vista físico, muita energia. Uma família de quatro pessoas pode consumir só em água quente entre 800 e 1 200 kWh por ano, o que a 0,18 €/kWh corresponde a algo entre 144 € e 216 €.

Os chuveiros de baixo caudal e os redutores de caudal misturam mais ar com o jato de água e reduzem o caudal entre 30 e 50 por cento, sem que o conforto no duche seja notoriamente afetado. Assumindo um consumo de água quente de 1 000 kWh por ano, uma redução de 40 por cento corresponde a uma poupança de cerca de 72 € por ano.

Além disso, a temperatura do termoacumulador não deve ser regulada desnecessariamente alta: 60 graus Celsius são suficientes para evitar a formação de legionela, sem desperdiçar energia com temperaturas mais elevadas.

5. Lâmpadas de halogéneo e incandescentes

Quem ainda utiliza lâmpadas de halogéneo ou lâmpadas economizadoras antigas em casa está a deitar dinheiro fora: as lâmpadas LED precisam, para a mesma luminosidade, de apenas cerca de 15 a 20 por cento da energia de uma lâmpada de halogéneo, além de durarem muito mais tempo.

Uma casa típica com 20 lâmpadas de halogéneo de 40 watts, acesas em média três horas por dia, consome assim cerca de 876 kWh por ano, o que corresponde a cerca de 158 €. A mudança para lâmpadas LED com luminosidade comparável, mas apenas 6 watts, reduz o consumo para cerca de 131 kWh, ou seja, 24 € — uma poupança de mais de 130 € por ano.

O custo de aquisição de 20 lâmpadas LED ronda os 40 a 70 €, pelo que a mudança se amortiza em poucos meses e depois poupa dinheiro de forma permanente.

6. Máquina de lavar loiça no programa intensivo

Muitos utilizadores recorrem por hábito ao programa intensivo, apesar de o programa Eco ser perfeitamente suficiente para loiça com sujidade normal. Os programas Eco funcionam durante mais tempo, mas aproveitam esse tempo para trabalhar com temperaturas mais baixas, o que reduz o consumo de energia entre 25 e 30 por cento.

Com 220 lavagens por ano e uma diferença de 0,3 kWh por ciclo entre o programa intensivo e o Eco, resulta uma poupança anual de 66 kWh, ou seja, cerca de 12 €. Combinado com a eliminação da pré-lavagem manual com água quente, que pode gerar 15 a 20 € adicionais de custos de água quente por ano, é possível poupar bastante mais.

7. Computadores gaming e hardware de carga contínua

Um computador gaming potente com placa gráfica atual pode consumir entre 400 e 600 watts a plena carga. Com três horas diárias de utilização intensiva, chega-se rapidamente a 550-650 kWh por ano, o que corresponde a 99 a 117 €.

Quem ativar um modo de poupança de energia equilibrado no sistema operativo e limitar a placa gráfica em aplicações mais leves consegue reduzir sensivelmente o consumo, sem perder desempenho durante os jogos. Também o desligamento automático após inatividade, em vez de standby permanente, poupa várias dezenas de euros ao longo do ano.

8. Router, repetidores e equipamento de rede

Router, repetidores Wi-Fi e servidores de armazenamento em rede (NAS) funcionam na maioria das casas de forma permanente, mesmo à noite e durante as férias. Um router com um sistema NAS ligado pode consumir em conjunto entre 15 e 30 watts, o que ao longo do ano corresponde a 130-260 kWh, ou seja, 23 a 47 €.

Em casas que não precisam de internet à noite, um desligamento programado de 6 a 8 horas por dia pode reduzir o consumo em cerca de um terço. É importante excluir desse esquema os sistemas domóticos ou alarmes que dependem da rede.

9. Aparelhos de ar condicionado móveis

Os aparelhos de ar condicionado móveis monobloco estão entre as soluções de arrefecimento menos eficientes, uma vez que o ar quente é expelido para o exterior através de uma mangueira, enquanto entra simultaneamente ar quente do exterior. A eficiência é, por isso, fraca, e o consumo de eletricidade pode atingir 1,5 a 2 kWh por hora de funcionamento em dias de calor.

Os aparelhos split fixos com tecnologia inverter são muito mais eficientes, já que o compressor ajusta a potência de forma contínua às necessidades reais de arrefecimento. Consomem frequentemente apenas 40 a 50 por cento da energia de um aparelho monobloco para a mesma capacidade de arrefecimento, o que, com uma utilização intensiva no verão, pode significar rapidamente uma poupança de 40 a 70 € por ano.

10. Forno em vez de micro-ondas ou placa

Para pequenas porções e para aquecer comida, o micro-ondas é bastante mais eficiente do que o forno, uma vez que aquece apenas o próprio alimento e não todo um compartimento. Estudos mostram potenciais de poupança de até 70 por cento face ao forno em processos de aquecimento comparáveis.

Além disso, muitas famílias desperdiçam energia ao pré-aquecer o forno desnecessariamente, apesar de isso não ser obrigatório na maioria dos pratos, exceto em produtos de pastelaria. Quem liga o forno apenas pouco antes de o cozinhado começar de facto, e aproveita o calor residual no final da cozedura, consegue poupar vários minutos de consumo de eletricidade por cada utilização.

Perguntas frequentes

Qual é a medida individual que traz maior poupança?

A substituição de um frigorífico ou arca congeladora antigos, bem como a mudança para iluminação LED, trazem geralmente a maior poupança absoluta, já que ambas as áreas têm tempos de funcionamento longos e a eficiência técnica melhorou muito.

Vale a pena comprar um medidor de consumo para casa?

Sim, um simples medidor de tomada por 10 a 20 € torna visíveis os consumidores permanentes escondidos, como frigoríficos antigos ou eletrónica em standby, e revela muitas vezes dados surpreendentes que permitem medidas de poupança concretas.

Quanto pode uma casa poupar no total de forma realista?

Combinando várias das medidas indicadas, para uma casa média são realistas poupanças de 150 a 200 € por ano, sem que o nível de vida desça de forma percetível.

Devo também mudar de comercializador de eletricidade?

Sim, uma comparação de tarifários faz sentido, pois a redução do consumo e um preço fixo ou variável mais baixo se somam, permitindo em conjunto poupanças de várias centenas de euros por ano.

Fontes e atualização

Última revisão editorial: Agosto de 2026. Todos os valores apresentados são estimativas de mercado e não constituem ofertas vinculativas.