Como o consumo e o preço se transformam numa fatura anual
Todo o tarifário de eletricidade português é composto por exatamente duas componentes de preço. O preço da energia é faturado em cêntimos por quilowatt-hora e aumenta linearmente com o seu consumo. O termo fixo de potência é um valor fixo, cobrado por dia ou por mês, independentemente de consumir muito ou pouco. Em tarifários domésticos, ambos os valores já incluem as tarifas de acesso às redes (TAR), taxas, impostos e o Imposto Especial de Consumo (IEC), além do IVA (23 % sobre a energia, 6 % sobre a potência contratada até 6,9 kVA).
A fórmula é: custo anual = consumo em kWh × preço da energia em € por kWh + termo fixo × 12. Com 3 000 kWh, 0,185 €/kWh e 13,50 € de termo fixo mensal, isto dá 555 € mais 162 €, ou seja, cerca de 717 € por ano. Ao mudar para um tarifário com 0,159 €/kWh e 11,90 € de termo fixo, o custo desce para cerca de 620 € — uma poupança de aproximadamente 97 € mesmo sem qualquer desconto de boas-vindas.
Por que o termo fixo pesa mais em consumos pequenos
Quanto menor o agregado familiar, mais pesa o termo fixo de potência. Um agregado de uma pessoa com 1 500 kWh e um termo fixo de 15 € por mês paga 180 € por ano só pela disponibilização da potência — o equivalente a cerca de 12 cêntimos/kWh adicionais. Um agregado de quatro pessoas com 4 500 kWh reparte o mesmo valor por três vezes mais quilowatt-hora e praticamente não o sente. Por isso, nunca compare apenas o preço da energia — compare sempre o custo total anual para o seu consumo real.
Inversamente, em consumos muito elevados — por exemplo com bomba de calor ou wallbox — pode compensar um tarifário com termo fixo mais alto, desde que o preço da energia seja sensivelmente mais baixo. Uma diferença de apenas 1 cêntimo/kWh representa 80 € por ano com um consumo de 8 000 kWh.
Valores típicos de consumo como referência
Os valores iniciais definidos no simulador seguem os intervalos habituais para os lares portugueses: cerca de 1 500 kWh para uma pessoa num apartamento, cerca de 2 200 kWh para duas pessoas, aproximadamente 3 000 a 3 500 kWh para três a quatro pessoas. Numa moradia unifamiliar, os valores são tipicamente 600 a 900 kWh mais elevados, devido à iluminação exterior, à bomba de circulação do aquecimento, à garagem e, com frequência, a um segundo frigorífico.
A produção de água quente elétrica representa cerca de 700 a 800 kWh por pessoa. Uma bomba de calor necessita, consoante o estado do edifício, de cerca de 2 500 a 5 000 kWh, e um carro elétrico com 12 000 km anuais e um consumo de 18 a 20 kWh por 100 km representa cerca de 2 200 a 2 500 kWh. Estes acréscimos estão definidos no simulador como valores fixos e podem ser substituídos a qualquer momento inserindo a leitura real do contador.
Como avaliar corretamente um desconto de boas-vindas
Um desconto de boas-vindas reduz apenas o primeiro ano de contrato. Tarifários com um desconto muito elevado e, ao mesmo tempo, um preço da energia alto acabam frequentemente por ultrapassar, a partir do segundo ano, o nível do contrato antigo. Verifique, por isso, a linha apresentada separadamente no simulador, "ano seguinte sem desconto": só se esse valor for inferior ao seu custo atual é que a mudança compensa de forma duradoura. Caso contrário, deve reavaliar o contrato atempadamente, antes do final do período inicial de fidelização.
Perguntas frequentes
Quão exata é a estimativa de consumo do simulador?
A estimativa baseia-se em valores típicos de consumo dos lares portugueses, de acordo com o número de pessoas e o tipo de habitação, com acréscimos para grandes consumidores como bomba de calor, carro elétrico ou termoacumulador elétrico. Não substitui uma leitura real: o valor mais rigoroso está na sua última fatura anual, em "consumo em kWh". Utilize a estimativa quando não tiver uma fatura disponível, por exemplo após uma mudança de casa.
Que preço de energia e termo fixo devo indicar?
Ambos os valores constam na sua fatura de eletricidade. O preço da energia é indicado em €/kWh (ou cêntimos/kWh), e o termo fixo de potência como valor diário ou mensal em euros. Introduza os valores com IVA incluído, para que o resultado seja comparável com a sua fatura.
Por que motivo o meu pagamento mensal difere do custo anual calculado?
O pagamento mensal (duodécimos) é um valor provisório que o seu comercializador define com base num consumo previsto. Se o seu consumo real for inferior, recebe um acerto a seu favor; se for superior, há lugar a um pagamento adicional. O simulador apresenta apenas o custo anual efetivo, sem esta lógica de duodécimos.
O simulador inclui um desconto de boas-vindas no primeiro ano?
Só se o indicar. Os descontos de boas-vindas ou promoções para novos clientes reduzem apenas o custo do primeiro ano de contrato. Para uma avaliação justa, deve sempre considerar também o custo sem esse desconto — o simulador apresenta ambos os valores.
Fontes e atualização
- ERSE – Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos: relatórios de monitorização e preços da eletricidade
- DGEG – Direção-Geral de Energia e Geologia: dados do mercado energético
- DECO PROteste – Consumo de eletricidade e mudança de comercializador
Última revisão editorial: agosto de 2026. Todos os valores apresentados são estimativas de mercado e não constituem ofertas vinculativas.
